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sábado, 15 de junho de 2019
sábado, 15 de dezembro de 2018
Carro da Alba no Carnaval de 1938
O menino deverá ser o jovem António Augusto Martins Pereira (neto do fundador da Alba)
Foto partilhada no grupo "Amo a minha terra" por Dr. Delfim Bismarck
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terça-feira, 15 de novembro de 2016
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
Fábricas Metalúrgicas Alba: "Esta empresa foi um estado-providência" (Jornal Público 09-11-2014)
Desenhou e produziu os bancos de jardim que decoram o país. Fabricou postes de iluminação em ferro fundido, ferros de engomar, louça de alumínio, caixas de correio. Construiu hospitais, cineteatros, um bairro social. Abriu refeitórios para dar sopa aos pobres. Criou um clube de futebol e trouxe ao mundo um carro de competição genuinamente português. Alba, a metalúrgica de Albergaria-a-Velha, transformou uma região, “albalizou” o império. A fábrica fechou, mas a marca resiste e já tem um prémio internacional de design.
Quando Augusto Martins Pereira chegava à empresa e comentava logo pela manhã que tinha passado a noite a puxar pela cabeça, os funcionários mais próximos sabiam que um novo produto estava a caminho, que não tardaria a surgir no papel e a ganhar forma. Havia muito respeito pelo patrão que tinha mão para o desenho, olho para o negócio, cabeça para surpreender o mercado, pernas para tirar o tapete à concorrência e um coração generoso que entendia e tentava resolver as dificuldades dos seus trabalhadores.(...)
Augusto Martins Pereira, o fundador
Martins Pereira, fundador da metalúrgica Alba, instalada em Albergaria-a-Velha em 1921, colocou a empresa nas páginas da história industrial portuguesa com uma visão inovadora para a época. A sua curta passagem por Boston e o curso de fundição que aí frequentou tiveram repercussões no meio empresarial português. O empresário não facilitava na hora de defender as suas ideias e lançava mãos à obra sempre que achava que era o momento certo para anunciar o que a sua fundição andava a produzir.
Em Janeiro de 1929, Martins Pereira escolhia o Grémio Recreativo Albergariense, frequentado por muitas famílias da região, para partilhar uma das suas últimas invenções. A sua “cozinha moderna” foi um êxito. Um fogão em ferro fundido de três bicos, portátil, não muito pesado, que com a chama de um simples fogareiro de pressão a petróleo permitia confeccionar três pratos em simultâneo em apenas meia hora. Pouco tempo e pouco consumo para aquela época. O seu inovador sistema de cozinha valeu-lhe um contrato de exportação para os Estados Unidos.
Nessa altura, a Alba já fabricava esmagadores para uvas, autoclismos, prensas completas para bagaço e acabava de montar uma nova secção de niquelagem para o fabrico de ferros de engomar aquecidos por uma pequena lâmpada de petróleo. Mais uma revolução na colecção de peças domésticas e que iria entrar por muitos lares portugueses.
O empresário, que foi agraciado com a comenda de Mérito Industrial e a quem Salazar tirava o chapéu pela pujança económica — chegando inclusive a dar instruções à sua equipa ministerial para que apoiasse o comendador no que fosse necessário —, não era apenas um homem de negócios. Visionário nos produtos que colocava no mercado, estava atento ao que se passava à sua volta numa época em que não havia pão em muitas mesas. (...)
O fundador da Alba sabia que tinha de inovar para conquistar o seu espaço, mesmo liderando uma das mais completas fundições de ferro cinzento do país. Antes de chegar a Albergaria, as suas mãos já tinham passado por várias fundições. Conhecia os seus segredos. Aos dez anos, estava em Lisboa com o pai na Companhia das Águas de Lisboa, como ajudante na fundição onde o seu tio era mestre. Passou por várias fundições de Lisboa e da Covilhã, trabalhou nas minas do Braçal e de S. Brás de Alportel.
Viajou para Boston. Dois anos intensos nos Estados Unidos. Tinha então 20 anos e trabalhava em fundições de dia e tirava um curso da arte à noite. Aprendeu muito nesse tempo, adquiriu o gosto pela simetria que transparece nos desenhos feitos a lápis ou nos portões de ferro que protegem a sua casa moderna para os anos 20 do século passado, com grande piscina, extenso jardim, que mandou construir perto da Alba.
No regresso dos Estados Unidos monta uma fundição de sinos nos Açores, negócio que acabaria por vender alguns anos mais tarde. Faz novamente as malas e regressa às origens. Aos 36 anos, está em Albergaria, onde cria a Fundição Lisbonense (em 1921), alterando pouco depois o nome para Fundição Albergariense.
Em 1925, envolve-se na criação da metalúrgica Oliva em São João da Madeira — outra das fundições mais importantes do país. Pedem-lhe para ficar na sociedade com exclusividade de 15 anos, mas não aceita. Em 1929, nascia a marca Alba, um ano depois de se ter conseguido estabelecer como comerciante em nome individual. A fundição Alba estava pronta para vingar no mercado com um logótipo arredondado que terá saído das mãos do próprio empresário.
José António Laranjeira foi responsável pela fundição
Em 1957, José António Laranjeira tinha 26 anos, estudava Engenharia Mecânica no Instituto Técnico de Lisboa e chegava à Alba como estagiário. Tinha família em Albergaria e parecia-lhe que aquela empresa poderia ser o local indicado para testar a teoria que ia absorvendo na universidade. Não se enganou e, de repente, os conceitos de eficiência e produtividade fizeram todo o sentido. Voltaria à Alba depois do curso concluído e seria, durante 12 anos, o responsável pela fundição da empresa. O empresário Martins Pereira mostrou-lhe que era preciso acompanhar todo o processo de execução de um produto, desde a ordem que saía do gabinete à entrada para a máquina.
O jovem Laranjeira ficava fascinado com a constante procura de soluções. E reparava com admiração e orgulho no trabalho social promovido pelo patrão. “Matou a fome a muita gente e proibiu a mendicidade quando foi presidente da câmara e como provedor da Misericórdia”, recorda à Revista 2.
As tabuletas com os avisos que proibiam andar de mão estendida a pedir esmolas eram feitas na fundição. “Avançava com a obra social sem garantias nenhumas de apoio oficial”, adianta. As condições dadas aos trabalhadores também lhe ficaram na memória: bom refeitório, balneário com cacifos individuais, um centro cultural e recreativo, uma banda de música, um rancho folclórico, livros para os filhos dos operários, um clube de futebol, o jornal Beira Vouga.
O agora octogenário não esquece muita coisa que se passou naquela fábrica. “A Alba distinguia-se porque tinha uma concepção de ferramentas fora de série. No meu tempo usou, e terá sido a primeira em Portugal a fazê-lo, a fundição em carapaça”, recorda Laranjeira. Uma técnica avançada para a época que recorria à areia com resina, matéria-prima mais cara do que a habitual areia verde que recorrentemente era utilizada e que permitia descartar o uso das caixas de moldes e assim acelerar a produção com menos mão-de-obra.
Foi também a primeira a produzir carcaças de alumínio para motores eléctricos pelo processo de vazamento em coquilha por gravidade. A inovação, a capacidade de resposta e a qualidade da “pele” das peças de ferro fundido abriram-lhe muitas portas e a Alba passou a ser procurada por várias indústrias — papeleiras, empresas de transportes ferroviários, construção e reparação naval, motores eléctricos e motores para motociclos.
“O senhor comendador tinha uma particularidade: gostava de pensar.” Laranjeira guarda um documento escrito pelo antigo patrão com recomendações para determinados trabalhos. Martins Pereira avisava pelo próprio punho: “Recomendamos por isso a todos os nossos operários que aproveitem todo o tempo, sem fazerem esforço excessivo que lhes prejudique a saúde, e que evitem passos e operações inúteis, procurando por todos os meios simplificar a maneira de trabalhar, para que todo o aproveitamento seja maior e melhor e com o qual todos vão lucrar.”
Aquelas palavras ficaram guardadas na memória e o engenheiro Laranjeira abre com elas um texto que escreveu sobre o fundador da Alba para a Revista da Fundição da Associação Portuguesa de Fundição, no terceiro trimestre de 1997. “O espírito deste homem era impressionante. Tinha ideias, escrevia, reflectia, não guardava as coisas para ele.” E todos aprendiam. Preocupava-se com a formação dos operários, ensinava a ler desenhos, pagava as despesas dos cursos industriais que os funcionários frequentavam.
A empresa prosperava, as encomendas não paravam de chegar, os bancos de jardim, que começaram a ser fabricados em 1943, eram requisitados por praticamente todas as autarquias do país, a louça de alumínio era um sucesso, as colunas de iluminação andavam a ser cobiçadas por muitos centros históricos.
Artur Dias Moreira dava vida aos moldes
Trabalho não faltava e o trabalho da fundição era duro. Artur Dias Moreira tem 75 anos e tem-nos marcado nas mãos que pareciam maiores do que o corpo quando era preciso dar vida aos moldes. Aos 14 anos, trabalhava na Alba, ajudava no que fosse preciso. Foi fundidor, chegou a encarregado de obra grande.
Era o trabalhador número 528. Conhecia todos os cantos da fábrica, acompanhava a transformação da areia do mar que era enxuta num queimador, subia e descia por um depósito, entrava numa máquina, passava por um processo de mistura, saía para a moldação, e em 15 minutos era cimento. Artur sabia que ali se faziam produtos importantes. “Foi uma vida, gostei muito de trabalhar na Alba. Era a melhor fundição do país nos anos 40 e 50”, afirma.
Não esquece o dia em que teve de marcar passo na tropa frente a um hotel da Figueira da Foz. “Fiquei numa alegria quando olhei e vi que o meu patrão estava lá”, conta emocionado. “Era um homem com todo o respeito, mas era preciso cuidado com a brincadeira. Passava sempre pela fundição para dar uma vista de olhos.” Tem saudades desse tempo e evita passar à porta da Alba. “Podia estar a dar o pão a ganhar a muitos operários.” (...)
Orlando Silva Marques, contabilista
Orlando Silva Marques conhece o Cineteatro Alba de olhos fechados. Era contabilista na Alba e para ganhar mais uns trocos foi trabalhar para a bilheteira em 1962. Não era muito difícil a sala esgotar. Orlando lembra-se dos preços daquele tempo: “Onze escudos para o balcão lá em cima, cinco escudos para a plateia à frente e oito escudos e 50 centavos para a plateia de trás.” Às vezes, batiam-lhe à porta de casa para assegurar entradas antes que voassem, como foi o caso de Um Zero à Esquerda, de Laura Alves.
Orlando entrou na Alba com um curso técnico comercial para se candidatar à vaga aberta na contabilidade industrial. Tinha 23 anos e ali ficou 42. “Os tempos eram melhores, trabalhava-se bem.” Os tempos eram ainda os das máquinas de escrever e de muitos cálculos de puxar pela cabeça. Partilhava o escritório com mais 20 colegas. A fábrica tinha muitas encomendas e isso reflectia-se na contabilidade. “Era a empresa de maior importância na zona.” (...)
Henriqueta Pires, a menina dos telefones
Henriqueta Pires tinha 17 anos quando entrou na Alba. Estava muito nervosa, sabia que tinha de passar pela aprovação do comendador. “Estava sentadinha a um canto para ser apresentada ao senhor Martins Pereira. Ele chegou, levantei-me e ele perguntou: ‘Esta é que é a menina do telefone?’” Ficou na metalúrgica até fazer 60 anos de vida, hoje tem 83 e mora ainda numa das 12 casas que o fundador mandou construir para os quadros da empresa — e que mais tarde seriam colocadas à venda.
Parece uma casinha de bonecas, tão bem cuidada, jardim delicadamente tratado com muros feitos de arbustos aparados ao milímetro. Pertinho da fundição, a paredes meias com o terreno que circunda a casa que foi do patrão. “Era uma excelente pessoa, muito amigo dos pobres”, recorda.
À primeira hora da manhã, encontrava-o na empresa para comandar o barco. Henriqueta atendia chamadas de todo o lado no seu primeiro e único emprego. Repetia vezes sem conta “Alba 6” — o número de telefone atribuído à empresa, ainda apenas com um dígito. “Era um corrupio, chamadas de todo o país e até do estrangeiro, até da Guiné vieram cá uns senhores”, lembra. Teve de aprender a pronunciar nomes esquisitos de empresas internacionais, a anotar todos os recados. “Conhecia toda a gente e não conhecia ninguém.” (...)
José de Almeida, electricista e desportista
O antigo electricista José de Almeida, de 82 anos, tem saudades da Alba. Entrou na empresa com 14 anos, saiu com 68. Os dias da fundição eram intensos e não havia mãos a medir. “Não davam vazão à louça de alumínio.” Lembra-se ainda da grande obra da barragem de Castelo de Bode. “A Alba fez uma torneira com 1,20 metros de diâmetro. Não havia nada que não se fizesse em ferro.”
José Almeida também ajudou para que a instalação eléctrica do cineteatro ficasse como deve ser. Foi ainda jogador e capitão do clube de futebol que a fundição criou e que montava arraiais no Campo das Laranjeiras, não muito longe da fábrica. A costela humanista da fundição alargava-se ao desporto, não para acumular vitórias, mas para promover o exercício físico e o convívio. “Tínhamos uma equipa a disputar o nacional só com futebolistas cá da terra”, recorda o ex-operário, ex-jogador, ex-capitão.
José Almeida lembra o companheiro João Castanheira, colega de campo, colega de trabalho, homem de mil ofícios, que morreu recentemente. “Era sapateiro, roupeiro, jogador, treinador, lavava a roupa, e era fundidor.” (...)
Pedro Martins Pereira, bisneto que continua a preservar a marca
Pedro passava as férias na fábrica do bisavô. Ganhava 25 tostões por dia e preferia passar o tempo na carpintaria. “Fazia coisas em madeira, um material mais humano do que o aço.” Mas, quando as suas mãos moldavam o ferro, nasciam coisas como um ovo metálico para apanhar camarões. Chegou também a recuperar um barco à vela.
Além da postura do bisavô, da sua costela empresarial e veia altruísta, Pedro não esquece a aventura do avô Américo e do tio-avô Albérico que no final da II Guerra Mundial entraram de carro em Londres para comprar um navio que ia para a sucata. Fernando Pessa estava na BBC e entrevistou os dois aventureiros portugueses que meteram o carro no navio e voltaram a Portugal com toneladas de sucata pelo mar.
A relação afectiva não lhe permite fechar a Alba numa gaveta. Pedro cresceu ali, foi chefe de fundição e director técnico. Comprou a casa do bisavô bem perto da antiga fundição que um dia tenciona recuperar. “O meu bisavô era muito criativo, era um visionário.”
O relançamento da empresa está a ser trabalhado de forma contínua desde 2011. Pedro, engenheiro metalúrgico, é dono da Larus, empresa de mobiliário urbano. O know-how da Larus acaba por ser imprescindível na recuperação da Alba. “Um dos aspectos mais fortes, mais interessantes, mais consistentes da marca é que tem uma imagem sustentável que não se inventa. Ou existe ou não existe. E ela tem tanta energia, tem um grande potencial de se recuperar”, refere Pedro Martins Pereira.
Fonte: Sara Dias Oliveira (em Revista 2 do Jornal Público)(adaptado/extracto) Fotos: Nelson Garrido
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sábado, 20 de dezembro de 2014
domingo, 20 de abril de 2014
"Alba, uma marca ao serviço da comunidade" em documentário
"Alba, uma marca ao serviço da comunidade" é o nome do documentário que o Cineteatro Alba vai exibir na noite de 29 de abril, pelas 21h00, e que constitui uma obra imprescindível para conhecer um período importante da História recente de Albergaria-a-Velha.
Este documentário retrata a história fascinante da empresa e da marca Alba, um caso exemplar e pioneiro no panorama da indústria portuguesa. É um percurso centenário, norteado por um espírito empresarial inovador, aventureiro, solidário e humanista, colocando o sucesso ao serviço da comunidade, tornando-se assim factor de agregação de uma região e evitando a exclusão social.
A Fábrica Metalúrgica Alba está intimamente ligada à vida dos concelhos de Albergaria-a-Velha e de Sever do Vouga – desde o princípio do século XX – pela sua notável acção económica, social, cultural e desportiva.
Relaciona-se também com a identidade colectiva nacional, através das peças domésticas e do mobiliário urbano que inundaram o nosso quotidiano a partir dos anos 20 e que também se projectaram além-fronteiras.
A concepção e construção integral – motor incluído – de um automóvel de competição genuinamente português é um feito histórico que tem sido pouco divulgado e que aqui merece o devido realce.
As gravações que foram efectuadas com o carro Alba marcam, também, a última vez em que nele andou António Augusto Martins Pereira, o seu inventor.
Alba, uma marca ao serviço da comunidade constitui uma justa homenagem ao verdadeiro mentor do projecto Alba – Comendador Augusto Martins Pereira – e às várias gerações da família que lhe deram sequência, nomeadamente António Augusto Martins Pereira, seu neto, que faleceu em Janeiro de 2013 e cujo depoimento foi gravado poucos meses antes da sua morte.
Fonte: CMAAV
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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
domingo, 10 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 20 de abril de 2011
Larus e Alba - Memórias de uma família com história
O bisavô talentoso
Entre as linhas que a Larus comercializa, está a Comendador, usada pelo atelier Risco no projecto para a Alta de Lisboa, onde há bancos, bebedouros, fontes e grelhas de árvores com a assinatura do designer.
É uma linha com uma história.
"Uma vez trouxe o Daciano da Costa a almoçar a Albergaria, à casa desenhada pelo meu bisavô. Passadas umas semanas, ele chamou-me e disse que me queria mostrar uma linha desenhada em homenagem ao meu bisavô."
Nasceu a linha Comendador, homenagem de Daciano da Costa (que morreu em 2005) ao antigo design das fábricas Alba e de Augusto Martins Pereira, comendador da Ordem do Mérito Industrial.
A avó "exótica"
(...) a história da Larus tal como é contada por Pedro Martins Pereira começa de uma forma inesperada, com uma senhora que, tendo nascido no Brasil e estudado nos Estados Unidos, "parecia um pouco exótica" aos olhos dos habitantes de Albergaria-a-Velha por andar de bicicleta e guiar um carro.
Isto passava-se na infância de Pedro, e a senhora era a avó, que tinha, além de tudo isto, o (bom) hábito de receber revistas americanas, "que nessa altura já falavam naturalmente sobre design".
Planos da família
Nasceu aí a relação de Pedro com o design. Mas os planos da família já estavam traçados e esperava-se que o rapaz, quando crescesse, viesse a ser chefe da fundição Alba, propriedade dos Martins Pereira.
"Está a ver os antigos postes de incêndio, as torres de iluminação, os bancos de jardim, as tampas de saneamento ?
Muito daquilo que ainda hoje se vê nas ruas foi desenhado pelo meu bisavô", o fundador da Alba.
Como previsto, Pedro foi trabalhar para a Alba — antes estudou engenharia em Coimbra, embora no início se empenhasse pouco nos estudos porque, às escondidas, inscrevera-se num curso de pintura, uma paixão antiga.
Arranque da Larus
Ao fim de alguns anos na Alba, saiu, em 1987, para criar a Larus com o designer e amigo Jorge Trindade. Começaram com um concurso para quiosques em Aveiro. "Ganhámos. Eu não tinha edifício, nem funcionários, nem equipamento. Não tinha nada. Aluguei umas escolas antigas, contratei um funcionário excelente, que começou a trabalhar depois das seis da tarde porque no início desconfiava um bocado daquilo, e paguei as máquinas a prestações."
ProjectoAlba
Em 2000, a Alba estava com dificuldades financeiras e Pedro Martins Pereira comprou a velha empresa da família, ficando com a marca e os produtos de referência do catálogo.
Responsabilidade social
(…) há valores que vêm do ambiente em que Pedro cresceu. O bisavô achava que a fábrica Alba tinha responsabilidades sociais e por isso criou um bairro residencial, um centro cultural, um campo de jogos e dois cinemas, os Cine-Teatros Alba de Sever do Vouga e de Albergaria-a-Velha.
Fonte: Revista Pública (Janeiro, 2011)
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
Família Martins Pereira e amigos (em Albergaria-a-Velha)

Casa
onde morou Augusto Martins Pereira e sua mulher Maria, quando vieram
dos Açores para Albergaria. Mais tarde Posto Médico que servia os
funcionários da Alba. Havia enfermeiros e médicos para atender o pessoal
que trabalhava na Alba. Penso que hoje é propriedade do Pedro Martins
Pereira.
A
ala esquerda da foto é de pessoas dos Açores. Não está a mulher do
Américo (Magda que já tinha morrido - 1930) e o Albérico era solteiro.
Colaboração: Eng. Duarte Machado e Dr. Delfim Bismarck (em grupo do Facebook "Amo a minha terra")
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Comendador Augusto Martins Pereira
Augusto Martins Pereira nasceu em 1885 em Sever do Vouga, numa família modesta, pelo que, criança ainda, começou a trabalhar nas Minas do Braçal. Muito novo partiu para os Estados Unidos da América onde aprendeu e se aperfeiçoou nas técnicas de fundição e metalurgia. Depressa deixou aquele país para se fixar nos Açores, onde em 1907 fundou a Fundição Lisbonense, em Ponta Delgada, a qual progride rapidamente. Ao cabo de 13 anos, assediado pela maior empresa do Arquipélago que se sentia ameaçada pela concorrência, vende-lhe a sua fábrica.
Em 1921 fixa-se em Albergaria-a-Velha para sempre, fundando a mais moderna metalurgia de então, uma empresa com o mesmo nome da anterior, mas, pouco tempo depois, instado por elementos da vila local, denomina-a Fundição Albergariense. Em 1923, a fim de aumentar a produtividade, com 29 sócios locais, constitui a Sociedade Augusto Martins Pereira, Lda. e a empresa começa então a desenvolver-se e afirmar-se no sector, ocupando ainda o velho edifício situado no Largo Conselheiro Sousa e Melo.
Já usando a marca “Alba” e tendo-se libertado dos sócios, as Fábricas Metalúrgicas tornam-se famosas e obtém uma Medalha de Ouro na Exposição Industrial Portuguesa de 1934. O desenvolvimento da Empresa leva à construção da grande fábrica ainda hoje existente na Cavada Nova, zona sul da vila. Em 1936, é agraciado pelo Chefe do Estado com a Comenda de Mérito Industrial.

Nomeado Presidente da Câmara, conseguiu subsídios do Governo, cujos Ministros por diversas vezes vieram a Lisboa e visitaram a “Alba”.
As fábricas ALBA tornar-se-iam o grande motor de desenvolvimento económico e social da região, não só pela oferta de emprego.
Transforma a decadente Filarmónica na Banda Alba, que alcança renome; compra o Campo das Laranjeiras e, com a colaboração gratuita dos seus empregados, transforma-o no Parque de Recreio e Desporto Alba; cria uma Cantina e um Armazém para minorar as dificuldades do abastecimento provocado pela II Guerra Mundial: compra o decrépito Teatro e faz o luxuoso Cine-Teatro Alba; eleito Provedor da Misericórdia, deita abaixo o imponente mas pequeno e inadaptado hospital, e, com subsídios que obtém do Estado, manda construir um novo, com um edifício anexo para a Sopa dos Pobres, onde se distribuíam dezenas de refeições por dia, em parte por si mantidas.
Faleceu, nesta vila, em Maio de 1960 e o seu funeral foi a expressão do reconhecimento do Concelho pela obra aqui desenvolvida.
Fonte: Alba / António Homem de Albuquerque Pinho, "Gente Ilustre em Albergaria"
Pai de Américo Martins Pereira
Avô de António Augusto Martins Pereira
(in Blog de Albergaria)
quinta-feira, 15 de janeiro de 2009
Breve crónica genealógica da família Vasconcelos
O primeiro chefe de família de que há memória, oriundo da Vila de Arouca, de seu nome António Pereira de Vasconcelos, casado, que habitou na sua casa com quintal na referida Rua da Corredoura em Sever, proprietário com vasto património em Sever e no lugar de Paredes - Pessegueiro, teve quatro filhos:
1.ª Geração:
Francisco, José Maria, Joaquim e Maria Pereira de Vasconcelos. O Francisco e a sua irmã Maria, ficaram em Sever, ele na casa que era de seu pai e ela no lugar da Bréga - Rua da Torre, no espaço onde se encontra actualmente o centro comercial da Vila. O José Maria e o Joaquim ficaram no lugar de Paredes, na casa de campo chamada a Cordoira;
2.ª Geração:
O Francisco deixou quatro filhas, a Deolinda (da Pensão Gaspar), a Marcelina, a Guilhermina e a Emília. O Joaquim deixou três, o Adriano, o António e a Maria II. O José Maria emigrou para o Brasil e depois de muitos anos regressou a Paredes onde faleceu, no estado de solteiro e sem deixar descendentes.
A Maria P. de Vasconcelos, casou com Augusto Martins Pereira, fundidor de profissão e tiveram quatro filhos, o Augusto Martins Pereira - filho, nome igual ao de seu pai, fundador da fábrica “Metalúrgica Alba” (conhecido benemérito de Sever do Vouga, que amou sempre a terra que o viu nascer), o Ingelino e o Adriano, todos fundidores emigraram para E.U.A. E ali exerceram a sua profissão) e uma filha que emigrou para o Brasil e ali constituiu família.
Fonte: Jornal Beira Vouga
1.ª Geração:
Francisco, José Maria, Joaquim e Maria Pereira de Vasconcelos. O Francisco e a sua irmã Maria, ficaram em Sever, ele na casa que era de seu pai e ela no lugar da Bréga - Rua da Torre, no espaço onde se encontra actualmente o centro comercial da Vila. O José Maria e o Joaquim ficaram no lugar de Paredes, na casa de campo chamada a Cordoira;
2.ª Geração:
O Francisco deixou quatro filhas, a Deolinda (da Pensão Gaspar), a Marcelina, a Guilhermina e a Emília. O Joaquim deixou três, o Adriano, o António e a Maria II. O José Maria emigrou para o Brasil e depois de muitos anos regressou a Paredes onde faleceu, no estado de solteiro e sem deixar descendentes.
A Maria P. de Vasconcelos, casou com Augusto Martins Pereira, fundidor de profissão e tiveram quatro filhos, o Augusto Martins Pereira - filho, nome igual ao de seu pai, fundador da fábrica “Metalúrgica Alba” (conhecido benemérito de Sever do Vouga, que amou sempre a terra que o viu nascer), o Ingelino e o Adriano, todos fundidores emigraram para E.U.A. E ali exerceram a sua profissão) e uma filha que emigrou para o Brasil e ali constituiu família.
Fonte: Jornal Beira Vouga
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